História Aprofundada do Bairro, de seus Prédios
e Monumentos
Texto de propriedade de Milton Teixeira – SINDEGTUR/RJ
– cedido como colaboração.
BAIRRO DE BOTAFOGO E SUA
HISTÓRIA COM A URCA.
O
tradicional bairro de Botafogo nasceu em meio a uma guerra e, por pouco,
quase terminou na mesma ocasião. Com efeito. o Capitão-Mór e Governador
Estácio de Sá (1542-67) fundara a 1°. de março de 1565 a "Cidade de
São Sebastião do Rio de Janeiro", na base do "Morro
Cara-de-Cão, na Urca, onde hoje existe o Centro de Capacitação Física do
Exército e Fortaleza de São João. Tal ato teve por fim não só marcar a
ocupação lusitana da Baía, descoberta pelos lusos em 1502 e até então
presa fácil de aventureiros, como também expulsar a colônia francesa
intitulada França Antártica" que havia se estabelecido em 1555 onde
hoje e a ilha de Villegaignon.
No
mesmo ano da chegada, em julho, Estácio começa a doar terras em regime de
sesmarias a colonos e agricultores para que desenvolvessem a região. Tais
doações, além de generosas, estavam livres de impostos e emolumentos,
obrigando-se apenas ao beneficiado medir suas terras e delas deixar
registro na Câmara de Vereadores, bem como desenvolver alguma cultura
nelas.
Uma
das primeiras doações foi, no entanto, para seu amigo particular, o
futuro Vereador, sesmeiro e "Mordomo da Arquiconfraria de São
Sebastião", o vicentino Antonio Francisco Velho. Era uma doação
deveras respeitável, pois abrangia toda a enseada das futuras praias de
Botafogo, Urca, Morro da Viúva
e parte do Flamengo, até a altura da casa "Carioca", erguida em
1503 como uma malfadada feitoria lusitana num braço do Rio Carioca, mais
ou menos onde hoje é a Rua Cruz Lima, no Flamengo. As terras de Francisco
Velho abrangiam, portanto, áreas correspondentes hoje aos bairros de
Botafogo, Urca, Flamengo
(parte), Humaitá e Lagoa (parte).
A
doação constituía-se basicamente num vale, formado pelos morros que serão
batizados no século XVII de São João e Da. Marta, cortado por dois
grandes rios: o “Berquo" ou "Broco", próximo ao
"Morro São João'' assim chamado no final do sec. XVII em lembrança
de um dos proprietários locais, o Ouvidor Francisco Berquo da Silveira;
sendo o outro rio o "Banana Podre", em grande parte canalizado e acompanhando o
trajeto da Rua São Clemente, estando a descoberto ainda em algumas
propriedades.
Havia
também uma Lagoa de restinga, ligada ao mar, onde hoje existe mais ou
menos a Rua Dezenove de Fevereiro (e que teima em virar lagoa quando
chove muito...), sendo, entretanto, a maior atração da doação a bela
enseada de águas plácidas, tão calmas que os franceses de Villegaignon
chamavam-na de "Le Lac", (o Lago).
Os
índios tamoios, primitivos habitantes, na se sensibilizaram com a beleza
da enseada, não lhe dando nome em especial. Chamavam Botafogo de
"ltaoca" (casa de pedra), em referência a uma furna que ainda
existe onde hoje e o Humaitá (fica no final da rua Icatu).
A
partir de 1565, surge o primeiro nome português do local, a "Enseada
de Francisco Velho". E por esse nome foi conhecida por mais de
quarenta anos.
Francisco
Velho era casado com Da. Ana de Moraes de Antas, de tradicional família
vicentina, vinda com Martim Afonso em 1532, e descendente de várias casas
reais europeias. Em Portugal, a família era possuidora do tradicional ''Paço de Antas", daí
o sobrenome.
O
casal teve ao menos uma filha, Da. Isabel Velho, casada com outro fundador do Rio de Janeiro,
Antonio de Mariz Coutinho, futuro Vereador e que entraria na literatura
romântica do sec. XIX como o pai de "Ceci", do romance '"O
Guarani", de José de Alencar.
Quando
houve a expulsão dos franceses em março de 1567 e a transferência da
cidade para o Morro do Castelo, a
família Velho passou a residir em morada erguida onde hoje existe
o imenso edifício neo-clássico da "Universidade do Brasil", na
Avenida Pasteur, antiga "Praia da Saudade".
Deve-se
em boa hora lembrar que a topografia de então era bem diferente da atual.
Não existia a Praia Vermelha, nem o terrapleno onde hoje figura a Praça
General Tibúrcio. O Morro da Urca, junto com o Pão de Açúcar e o
Cara-de-Cão formavam uma ilha separada do continente. O oceano Atlântico
comunicava-se diretamente com as praias da Saudade e Botafogo. Somente em
1697 é que se fez o aterro que ligou a Urca ao continente.
Curiosamente,
Francisco Velho veio a ser nosso primeiro "sequestrado" no Rio
de Janeiro, pois foi capturado em Janeiro de 1567 pelos índios tamoios
quando foi ao mato cortar troncos para erguer a capela de São Sebastião.
Velho foi rescaldado com vida pelos Portugueses, depois de épica batalha
travada próximo ao que é hoje o Morro da Glória, a 20 de janeiro de 1567,
onde ocorreu espetacular embate entre cinco canoas portuguesas e cento e oitenta
tamoias, com vitória lusitana onde, ao que se diz, até o próprio São
Sebastião em pessoa apareceu para "dar uma mãozinha". O embate
entrou para a história como a "Batalha das Canoas".
Já
bem idoso, Francisco Velho vendeu
suas terras em 1590 ao seu colega de aventuras, o alentejano de Elvas
João Pereira de Souza Botafogo (15407-1605), sertanista famoso, e que
deixara Portugal, ao que se diz, por embaraços financeiros. João Pereira
emprestaria seu nome em definitivo ao bairro, que se chamou Botafogo
desde então. O curioso e que possivelmente não era nome de nascença, mas
sim apelido, muito comumente dado em Portugal aos arcabuzeiros, homens
especialistas em armas de fogo manuais.
Portanto,
os dois primeiros moradores do bairro já sofriam de velhos problemas
cariocas: sequestro (Antonio Francisco Velho) e inadimplência (João
Pereira de Souza Botafogo).
BAIRRO DA URCA
Este
bucólico bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro foi criado a partir de
1921. Ate então não existiam as Avenidas Portugal e João Luís Alves. O
acesso para a Fortaleza de São João era feito através de embarcação. A
ideia de ligar a Praia da Saudade (atual Avenida Pasteur) à Fortaleza
partiu do comerciante português e Voluntário da Pátria Domingos Fernandes
Pinto, entre 1860/70. "Olhando para a então pequena praia da Urca
onde havia apenas um coqueiro e uma casa de pescador, planejou
transformar o local num bairro, ou melhor, numa nova cidade, com prédios
obedecendo a um novo estilo, elegante e artístico".
Em
marco de 1895 Domingos Fernandes assinou contrato com a Intendência
Municipal objetivando construir um cais ligando a Praia da Saudade à
Fortaleza de São João. A ponte Domingos Fernandes Pinto (que liga Avenida
Marechal Cantuária à Avenida Pasteur é resultado deste primeiro momento
de obras). Em agosto de 1901 foi criada a firma Domingos Fernandes Pinto
& Cia a fim de continuar as obras de 1895. O sonho de Domingos
Fernandes de criação de um bairro foi embargado pelo Exército que temia
que esta obra viesse a tornar a Fortaleza de São João vulnerável.
Mas
a criação do cais foi de utilidade para a Fortaleza facilitando a ligação
da Praia da Saudade com uma trilha na encosta do morro que acenava a
fortaleza. Essa trilha foi o embrião da atual Av. São Sebastião.
Em
1921 o Engenheiro Oscar de Almeida Gama criou a Sociedade Anônima Empresa da Urca objetivando a
construção de cais ligando a Praia da Saudade à Fortaleza. Neste período
governava a cidade o prefeito Carlos Sampaio, que incentivou a obra
realizada. A Sociedade foi responsável pela construção do ancoradouro de
barcos junto à ponte, ( o ancoradouro foi criado para servir como piscina
para competições, possuindo fundo azulejado e arquibancadas), do cais que
corre pela atual Avenida João Luis Alves e Avenida Portugal e do Hotel
Balneário (que funcionou como Cassino da Urca de 1934 a 1946 e TV Tupi,
de 1951 a 1980).
Em
setembro de 1922 a Avenida Portugal foi oficialmente inaugurada.
IGREJA DE NOSSA SENHORA DO
BRASIL - AVENIDA PORTUGAL
Elegante
e esguia igreja em estilo neocolonial, projetada em 1925 pelo arquiteto
Frederico Faro Filho, sendo ultimada
dez anos depois. O arquiteto, não conhecendo em profundidade nosso
estilo colonial, inspirou-se nas capelas das missões espanholas da
Flórida, então muito divulgadas nos filmes de faroeste americanos. Possui
concorrida missa, que quase sempre conta com a participação do popular
cantor Roberto Carlos, que mora nas proximidades.
ANTIGO CASSINO DA URCA- AV.
PORTUGAL- PRAIA DA URCA
Volumoso
edifício eclético concebido em 1920-22 para funcionar como hotel
balneário, dotado de acomodações para hóspedes, quadra de esportes,
vestiários e equipamentos náuticos. Foi projetado pelos arquitetos
Archimedes Memória e Francisco Cuchet para acomodar turistas que viriam à
Exposição Internacional Comemorativa do Centenário da Independência do
Brasil, em 1922. Após a exposição, vegetou por alguns anos até ser
adquirido em 1935 pelo empresário
dos jogos Joachim Rollas, que o converteu em cassino. As obras de
adaptação foram realizadas pelo engenheiro Mario Chagas Doha, ficando a
decoração interna a cargo do arquiteto Wladimir Alves de Sousa, que criou
os belos salões em estilo art-déco, que ainda subsistem. Seu período
áureo foi de 1938 a 1946, quando grandes nomes artísticos nacionais e
internacionais e uma clientela selecionada contribuíram para que se
tornasse uma das mais disputadas casas das Américas. Artistas de um porte
de Josephine Baker, Maurice Chevalier, Mistin Guett, Carmem Miranda, Eros
Volusia, Alvarenga e Ranchinho, Oscarito, Grande Otelo e Ankito,
realizaram shows memoráveis em seus palcos. Em abril de 1946, com a
proibição do jogo no Brasil, entrou em rápida decadência. Adquirido em
1950 pelo empresário das comunicações
Assis Chateaubriand, dono dos Diários Associados, foi convertido
em estúdio da Tevê-Tupi, a primeira emissora de televisão da América
Latina, que manteve carreira de sucesso ate a morte de seu fundador, em
fins dos anos sessenta. Depois de longa decadência, fechou as portas em 1980,
servindo hoje como espaço de aluguel a escritórios particulares ou
leilões de arte.
O
prédio foi tombado pela Municipalidade.
ASSIS CHATEUABRIAND
BANDEIRA DE MELO - DADOS BIOGRAFICOS Jornalista e empresário,
nasceu em 1891 em Umbuzeiro, Pernambuco. Bacharel pela Faculdade de
Direito do Recife. Redator do Jornal do Recife e do Diário de Pernambuco.
No Rio de Janeiro, para onde se mudou em 1917, colaborou no Correio da
Manhã, foi redator-chefe do Jornal do Brasil e diretor de O Jornal.
Organizou uma cadeia dos Diários Associados, incluindo jornais, estações
de rádio e televisão (sendo que ele introduziu a televisão no Brasil. em
1950. pela extinta TV-Tupi), a revista O Cruzeiro, varias revistas
infantis e uma editora. Fundou o Museu de Arte, em São Paulo, em 1947
(hoje Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand), e promoveu a
campanha nacional da aviação e da redenção da criança. Em 1955, elegeu-se
senador pelo Maranhão, renunciando ao mandato para assumir a embaixada do
Brasil em Londres. Foi um dos mais acres adversários da industrialização
do país. Membro da Academia Brasileira de Letras (cadeira no. 37). Sua
obra consta principalmente de artigos de jornal que não foram reunidos em
livros. Entre as obras publicadas, devem-se mencionar: Em Defesa do Sr.
Oliveira Lima (1910); Alemanha, Dias Idos e Vividos (1921); Terra
Desumana (1926).
Morreu em São Paulo em 1968.
DIRETORIA DE PESQUISA E ESTUDO DE PESSOAL DO EXÉRCITO E
FORTALEZA DE SÃO JOÃO - AVENIDA JOÃO LUÍS ALVES, S/NO. - FORTALEZA DE SÃO
JOÃO
Na
manhã de 1°. de marco de 1565, o jovem Capitão português Estácio de Sá,
desembarcou com 120 brancos e trinta índios na península do morro
Cara-de-Cão, na base do Pão-de-Açúcar, para uma importante missão: fundar
a Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, com o objetivo claro de
retomar a Baía de Guanabara, desde
1555 em mãos francesas. O desembarque, procedido às pressas, não obedeceu
a nenhum protocolo que o de realizar no menor prazo possível um cercado
para proteção contra um ataque inimigo, possibilidade que se concretizou
alguns dias depois. Neste cercado, em habitações que não se diferenciavam
muito de seus adversários tamoios, aliados dos franceses, Estácio
resistiu por dois anos, até a reconquista final da Baía, ocorrida após a
batalha das Canoas, em 20 de janeiro de 1567, vitória que custou a vida
de nosso primeiro governador, falecido em consequência de um ferimento
recebido no rosto por uma flecha.
Mem
de Sá, tio de Estácio e Governador Geral do Brasil desde 1557, transferiu
a cidade do estreito morro Cara-de-Cão para o do Castelo, mais bem
situado, em posição cavaleira no interior da Baía. Das construções
deixadas pelos Portugueses na então "vila velha" pouco resto,
logo encobertas pelo mato. Entretanto, já em 1601 os Portugueses
iniciariam uma nova fortificação no morro
Cara-de-Cão, importante demais para continuar esquecido. Michel de
Lescolles, engenheiro francês. Teria sido seu primeiro fortificador, logo
substituído pelo engenheiro lusitano Francisco de Frias da Mesquita, que
em princípios do século XVII estava construindo fortes em toda a costa
brasileira, e passou bom tempo no Rio de Janeiro em 1617. Eram esses
fortes simples muros de terra, sem trabalhos em pedra. A ideia tinha o
seu porquê. Uma muralha de terra absorvia as balas inimigas, enquanto que
a muralha de pedra a faria ricochetear ou estilhaçar, virando cada pedaço
um novo balim. O único problema e que quando chovia o forte se
esfarelava. Em 1705, o Governador do Rio de Janeiro Francisco de Castro
Morais, colocou uma corrente ligando o morro Cara-de-Cão à Fortaleza de
Santa Cruz, em Jurujuba, artifício que logo mostrou sua inutilidade, pois
não conseguiu impedir os ataques franceses ao Rio de Janeiro cinco anos
depois.
Após
os ataques franceses de Duclerce DuguayTrouin em 1710-11, foi a
fortificação reforçada por João Masse, engenheiro francês, passando a ser
citada nos documentos coevos como Fortaleza de São João. O Padre jesuíta
e engenheiro Domingos Capassi fez-lhe um levantamento em 1730. As
principais muralhas de pedra já existiam, mas ainda faltava muito por
fazer. Em 1776, o Vice-Rei Marques de Lavradio encarregou o engenheiro
militar Jean Jacques Funck de refazer as muralhas, tendo sido erguida na
ocasião a atual defensa, com elegante porta da barroca e ponte levadiça.
Desartilhada pela Regência Trina em 1831, assim permaneceu ate 1863,
quando quase entramos em guerra contra o governo de Sua Majestade
Britânica devido à prepotência de seu embaixador no Brasil, o intrigante
William Dougal Christie. Reaparelhada às pressas pela Comissão de
Melhoramentos do Exército, ganhou
então os novos fortes de São José e São Teodósio, executados em cantaria
aparelhada e concluídos em 1872. Ironicamente, nesse meio tempo, fizemos
as pazes com a Inglaterra em 1865, sendo a Fortaleza artilhada com canhões ingleses Armstrong
Whitworth.
A
Fortaleza de São João atuou contra a esquadra revoltada em 1893-94 e
contra a revolta da Fortaleza de Santa Cruz, em 1905. Tendo ainda atuado
contra o Encouraçado São Paulo na rebelião de Hercolino Cascardo em julho
de 1924.
Na era Vargas, passou a sediar a Escola Superior de Guerra, bem
como outros estabelecimentos de ensino militar e educação física,
perdendo aos poucos seu caráter exclusivamente marcial. Atuou na
vigilância do litoral durante a Segunda Guerra Mundial, tendo dado seu
último disparo efetivo contra o Cruzador Tamandaré, em novembro de 1955,
quando este fugiu barra afora com o Presidente Carlos Luz a bordo,
deposto pelo golpe branco do Marechal Lott.
Durante
muitos anos ficou muito conhecido seu curso de educação física, aberto ao
público, nas férias escolares. Recentemente, foi aberta ao turismo e
restaurada, sendo demolidos prédios modernos que "entalavam" as
antigas muralhas coloniais. Hoje restaurada, serve a vetusta fortaleza de
sede do importante Centro de Capacitação Física do Exército, sendo suas
instalações mantidas com muito zelo pela classe militar, como as
relíquias mais veneráveis da quadrissecular cidade de São Sebastião do
Rio de Janeiro.
DIRETORIA DE PESQUISA E
ESTUDOS DE PESSOAL E
FORTALEZA DE SÃO JOÃO II- AVENIDA JOÃO LUIS ALVES, S/NO. - FORTALEZA DE
SÃO JOÃO
Foi
criada pelo Decreto 4.290, de 27 de junho de 2002, assinado pelo
Presidente Fernando Henrique Cardoso, por transformação do Centro de
Capacitação Física do Exercito e Fortaleza de São João. A portaria no.
310, de 28 de julho de 2002, organizou a DPEP. Sua missão é:
coordenar
as atividades de ensino, pesquisa e desporto das organizações militares subordinadas,
assessorar o escalão superior, quanto à doutrina do TFM e quanto a
estudos na área de pessoal funcionar como polo de referências em
treinamento físico e militar, medicina esportiva e desportos, e em
seleção, avaliação e capacitação profissional.
A
DPEP esta subordinada ao Departamento de Ensino e Pesquisa do Exército.
ESCOLA DE EDUCAÇÃO FÍSICA
DO EXÉRCITO - AVENIDA JOÃO LUÍS
ALVES, S/NO. - FORTALEZA DE SÃO JOÃO
A
EsEFEx é um estabelecimento de ensino superior e médio de especialização,
da linha ensino militar bélico, diretamente subordinado à Diretoria de
Pesquisa e Estudos de Pessoal e Fortaleza de São João.
Criada
pelo Presidente Getúlio Vargas em 1933, tinha originalmente uma
orientação eugênica, bem ao gosto da época, de aprimorar a "raça
brasileira". Em 1940 passou a seguir uma linha mais pragmática,
voltada para a excelência da vida militar na guerra. Sua colônia de
férias, criada na década de 50, com vagas muito disputadas pelas famílias
de militares e civis da zona sul do Rio de Janeiro.
ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA
– AVENIDA JOÃO LUÍS ALVES, S/N.-FORTALEZA DE SÃO JOÃO
A
Escola Superior de Guerra, criada pela Lei 785/49, é um instituto de
altos estudos de política, estratégia e defesa, integrante da estrutura
do Ministério da Defesa, e destina-se a desenvolver e consolidar os
conhecimentos necessários ao exercício de funções de direção e
assessoramento superior para o planejamento da defesa nacional, nela
incluídos os aspectos fundamentais da segurança e do desenvolvimento.
A
ESG foi criada a 20 de agosto de 1949
pelo Presidente Marechal Eurico Gaspar Dutra. Foi inspirada na
National War College dos EUA, visitada em 1948 pelo General Salvador Cesar Obino, então chefe do
Estado Maior Geral, antigo EMFA e hoje Ministério da Defesa. O General
Obino ficou profundamente impressionado com a escola americana, e iniciou
uma campanha para criar uma instituição congênere no Brasil, no que foi
bem sucedido.
Seu
primeiro comandante foi o General Cordeiro de Farias, substituído em 1952
pelo General Juarez Távora, que antes havia sido aluno da dita escola.
Desde 1949 está instalada na Praia
de Dentro da Fortaleza de São João, local histórico da fundação da Cidade
do Rio de Janeiro, e ministra cursos de excelência para as classes
militar e civil.
IATE CLUBE DO RIO DE JANEIRO-
AVENIDA PASTEUR
Durante
os dois primeiros séculos de existência da cidade, todo o trecho marítimo
que ia do Morro do Matias (hoje, do Pasmado), em Botafogo ao Morro da
Urca era denominado de Praia de Martim Afonso ou Praia de Santa Cecília.
No século XVIII deram-lhe a crisma de Praia da Saudade. O porque desse
nome nunca se soube.
No
século XVIII, o Cônego Dr. Antonio Rodrigues de Miranda, Vigário-Geral do
Bispado do Rio de Janeiro e proprietário daquelas terras fez doação de
toda a orla e chãos adjacentes à Santa Casa de Misericórdia. Um século
depois, a Santa Casa aproveitou esses terrenos para ali erguer, de 1841
a 52, seu novo nosocômio para
alienados, o qual recebeu o nome de Hospício de D. Pedro II.
Na
ocasião, o Provedor José Clemente Pereira mandou cordear um caminho que
ali existia, a Azinhaga do Pasmado, então rebatizada de Rua do Hospício
de D. Pedro II, afinal mudado na República para Rua General Severiano.
Aproveitou-se a oportunidade para igualmente cordear a rua fronteira ao
hospício, a qual possuía o nome de Rua da Pedreira de Botafogo, e que
recebeu então o nome de Praia da Saudade.
Em
1908, essa praia ganhou uma muralha de pedra e concreto, por conta da
Exposição Nacional realizada na Praia Vermelha. A 27 de dezembro de 1922
ganharia o nome definitivo de Avenida Pasteur.
Em
1920, a família Guinle, chefiada pelo empresário Guilherme Guinle, bem
como a família Rocha Miranda, dona da primeira concessão de uma linha de ônibus
para a Praia Vermelha, assim como outros amantes do iatismo, resolveram
fundar o Fluminense Yachting Club, cuja sede inicial foi no estádio do
Clube Fluminense, em Laranjeiras, logo depois transferida para a Praia da
Saudade. Nesta nova sede, frequentemente ampliada, havia casas de banho
de mar antes de terem tornado mais acessíveis os de Copacabana. Apesar de
ali ser um espaço destinado aos amantes de esportes náuticos, por muito
tempo, inicialmente também funcionou
um estande de tiro dos sócios do Revólver Club (Afrânio Costa, Guilherme
Paraense, etc.), onde faziam exercícios de tiro.
A
Praia da Saudade foi definitivamente aterrada em 1934/5, para ali ser
construída uma pista de pouso de aviões. Chegou a funcionar por muitos
anos naquele lugar um aeroclube mas uma série de acidentes fez com que a
pista de voo fosse fechada logo no início da Segunda Guerra Mundial. Um
projeto de ampliação do Fluminense Yachting Club foi organizado por Oscar
Niemeyer, mas as ampliações acabaram sendo feitas aos poucos sem um plano
especifico, até hoje. O estabelecimento, depois rebatizado para late
Clube do Brasil e, desde os anos 60 de late Clube do Rio de Janeiro,
ganhou sua forma definitiva depois das obras de 1968. Nesse ano, em
outubro, o clube abriu as portas para oferecer um jantar à Rainha
Elizabeth II da Inglaterra que então nos visitava e vinha assinar o
contrato de construção da Ponte Rio -Niterói entre diversas empresas
canadenses e o Governo do Brasil.
ANTIGO HOSPÍCIO HOJE
UNIVERSIDADE FEDERAL - AV. PASTEUR, 250
Desde
1830 a Santa Casa de Misericórdia lutava para erguer um hospício
destinado a abrigar deficientes mentais, haja vista que o expediente até
então era de acolhê-los no antigo Hospital da Santa Casa, na Rua Santa
Luzia, construção do século XVIII e já completamente obsoleta. Já há
alguns anos os loucos mais furiosos eram encarcerados na cadeia publica,
processo desumano e incompatível com os progressos científicos da época e
que já eram conhecidos no Brasil. A Santa Casa, instituição que datava dos
primórdios da cidade, enfrentara um período de decadência no Primeiro
Império, mas, na Regência, o espectro mudara, principalmente quando foi
eleito o Provedor José Clemente Pereira. Prócer da Independência,
intelectual, político e humanista, homem dotado de rara intelectualidade,
era a pessoa certa no lugar e momento certos. Com muita perspicácia,
obteve permissão Imperial para, com loterias, vendas de títulos e
subscrições, obter as verbas necessárias ao erguimento do novo hospital.
Em oficio de 15 de julho de 1841 ao ministro do Império, informou José
Clemente que já angariara 2:500$ e estava autorizado pelo Imperador a
empregar nas obras o produto da grande subscrição, aberta entre os
negociantes da praça do Rio de Janeiro, para a "fundação de um estabelecimento
de caridade". Em consequência do documento acima exarado, três dias
depois, D. Pedro II, lavrou o Decreto de 18 de julho de 1841, dia de sua
sagração como Imperador na Igreja do Carmo, criando o Hospício de D.
Pedro II.
Sua
pedra fundamental foi colocada pelo próprio D. Pedro II, em 3 de setembro
de 1842. No dia 5 o Imperador visitou o local e ouviu de José Clemente a
explicação dos planos. No dia 7 do mesmo mês a obra foi iniciada. A
construção até agosto de 1843 foi dirigida pelo engenheiro José Domingos
Monteiro, português arquiteto do Hospital Central da Misericórdia, o
qual, usou como modelo de seu projeto, o velho Hospital de
Charenton,
casa-mãe da psiquiatria francesa. O terreno era na então deserta praia da
Saudade, em terra que no século XVIII eram conhecidas como “fazenda
do Vigário Geral”.
Depois
de agosto de 1843, interveio na construção o arquiteto major José Maria
Jacinto Rebelo, como o anterior, igualmente arquiteto da Santa Casa, o
qual acrescentou ao palácio a Capela de São Pedro de Alcântara, situada
bem no centro da composição; a maravilhosa escada em vários lances, que
nasce no hall e vai até a dita capela; e a claraboia elíptica que ilumina
eficientemente este espaço. Um outro arquiteto, o Sargento-Mór Joaquim
Cândido Guilhobel acrescentou o pórtico neoclássico em granito
fluminense, o qual deu grande imponência à fachada.
Construído
dentro das regras mais rigorosas do estilo neoclássico, então em voga,
Monteiro decorou o térreo com colunas do estilo dórico, inspirado no
Teatro de Marcelo, em Roma. O segundo pavimento é todo em estilo jônico,
inspirado no utilizado no templo de Minerva Poliada. Essa decoração
continua no interior, sendo que, nos corredores e enfermarias,
utilizou-se em profusão painéis de azulejos portugueses para combater a
umidade. Vários trabalhos de escultura em mármore de Carrara branco,
inclusive as alegorias da entrada nobre, foram realizadas pelo escultor
Pettrich. Ocupava o prédio uma área de 140.000 metros quadrados. O preço
da construção subiu a 2.672:428$689, tudo obtido com doações conseguidas
pelo Provedor.
A 30
de novembro de 1852 realizou-se a cerimônia de bênção do Hospício de D.
Pedro II. A abertura solene foi celebrada no domingo, 5 de dezembro. No salão nobre, duas
esculturas de Pettrich em tamanho natural, homenageavam o Imperador (aos
15 anos) e o Provedor José Clemente Pereira. Começou a receber doentes
mentais em 8 de dezembro do mesmo
ano. Alguns pequenos detalhes, como a decoração da capela, foram
realizados posteriormente. Menos de dois anos depois da inauguração,
faleceu de mal súbito, a 10 de março de 1854, o Provedor José Clemente
Pereira.
Pertenceu
à Irmandade da Santa Casa da Misericórdia até 11 de Janeiro de 1890,
quando então, por desentendimentos políticos com o Provedor Visconde de
Cruzeiro, passou o hospital para o Ministério da Justiça e Negócios do
Interior. Logo depois, quando se lhe anexou a Colônia de Alienados da
Ilha do Governador, passou a receber o nome de Hospício Nacional de
Alienados. Em 1911, houve uma separação dos sexos, fundando-se uma nova
colônia para as mulheres em Engenho de Dentro. Em 1942, as instalações da
Praia Vermelha foram transferidas, aos poucos, para os novos
Hospitais-Colônia Juliano Moreira e Gustavo Riedel, em Jacarepaguá. Estes
modernos nosocômios foram inaugurados em 14 de Janeiro de 1944, podendo
receber a 24 de março do mesmo ano os primeiros doentes removidos da
Praia Vermelha.
Desocupado
o velho prédio, foi então permutado com a Universidade do Brasil, que
dele tomou posse em 1947 (por felicidade, tanto o hospício quanto a
universidade estavam subordinados ao mesmo ministério). Sendo reitor da
instituição o erudito professor e acadêmico Pedro Calmon Muniz
Bittencourt, soube, com rara perícia, obter do Ministério da Educação e
Saúde as verbas necessárias à restauração e adaptação do belo palácio,
com o fito de ali sediar a Reitoria e diversas faculdades da área
biomédica. As obras foram realizadas com verbas conseguidas no curto
período entre fevereiro e dezembro de 1949.
O
fato de Pedro Calmon ter continuado como Reitor,sendo inclusive agraciado
em 1948 com o título de "magnífico", e seu grande prestigio
nomeio cultural tê-lo elevado a Ministro da Educação no Governo do
General Dutra (1950/1), permitiu que as obras prosseguissem sem perda de
continuidade. Desde 1950 o prédio já era ocupado com suas novas funções,
mas a inauguração da nova sede universitária ocorreu oficialmente a 5 de
dezembro de 1952, no centenário de inauguração do hospício; se bem que as
obras perduraram até maio de 1953.
Depois disso, pode o magnífico reitor acrescentar a Universidade do
Brasil os 11 mil metros quadrados de salas de aulas, laboratórios e
centros de pesquisas ali instalados.
Trinta
anos depois, a Reitoria foi transferida para a Cidade Universitária, na
Ilha do Fundão, sede da agora rebatizada Universidade Federal do Rio de
Janeiro, ficando no velho prédio algumas faculdades da área biomédica e
cursos diversos de extensão universitária.
O
prédio é tombado pelo IPHAN.
PEDRO CALMON MUNIZ DE BITTENCOURT - DADOS BIOGRAFICOS Historiador,
ensaísta e professor, Pedro Calmon nasceu em Amangosa, na Bahia, a 23 de
dezembro de 1902. Filho de Pedro Calmon Freire de Bittencourt e de Dona
Maria Romana Muniz de Aragão, estudou, de 1914 a 19, no Ginásio da Bahia.
Em 1920, ingressou na Faculdade de Direito de Salvador, onde passou dois
anos, transferindo-se, depois, para a Universidade do Rio de Janeiro,
onde colou grau em 1924. Foi, no ano seguinte, nomeado conservador do
Museu Histórico Nacional. Deputado Estadual pela Bahia, de 1927 a 30 e
Deputado Federal de 35 a 37. Em 1929 foi premiado pela Academia
Brasileira de Letras o seu romance histórico Tesouro de Belchior. Eleito
no dia 16 de abril de 1936 para a cadeira no. 16 da Academia Brasileira de Letras, e ali
recebido a 10 de outubro do mesmo ano. Sócio, grande benemérito e
Presidente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Professor
catedrático e honorário de várias faculdades, foi diretor da Universidade
do Brasil de 1938 a 48 e, a partir desta ultima data, Magnífico Reitor.
Delegado do Brasil a Conferência Interamericana do México em 1945 e
presidente da Conferencia Interamericana para o Acordo Ortográfico em
Lisboa. Delegado ao 1°. Colóquio Luso-Brasileiro, em Washington. No mesmo
ano, foi Ministro da Educação e Saúde de 1950 a 51, no Governo Dutra.
Possui grande número de condecorações.
Obras: Pedras d'Armas, (1923); Direito de Propriedade, (1926); O
Tesouro de Belchior, (1928); Histona da Independência do Brasil, (1928);
Anchieta - O Santo do Brasil. (1929); Historia das Bandeiras Bahianas,
(1929); A Reforma Constitucional da Bahia. (1929); O Rei Cavaleiro - Vida
de D. Pedro 1,(1930); Marques de Abrantes, (1933); Os Males, (1933); A
Federação e o Brasil, (1933); General Gomes Carneiro-0 General da
República, (1933); O Crime do Padre Vieira, (1933); Historia da
Civilização Brasileira, (1933); Historia da Bahia, (1934); Espírito da
Sociedade Colonial. (1935): Intervenção Federal, (1936); Vida e Amores de
Castro Alves, (1937): O Rei do Brasil – Vida de D. João VI, (1937);
Historia Social do Brasil. 1°. volume, (1937); Historia Social do Brasil.
2°. volume (1937); Curso de Direito Constitucional Brasileiro, (1937);
Curso de Direito Publico, (1938); Gregório de Matos, (1938); Por Brasil e
Portugal, (1938); Brasil e America, (1938); Pequena Historia da
Civilização Brasileira, (1939); Historia Social do Brasil. 3°. volume,
(1939); O Rei Filósofo -Vida de D. Pedro 11,(1938); Figuras de Azulejo,
(1939); Historia da Casa da Torre, (1940); Historia do Brasil - 1500 a
1600,1°. volume, (1940); Historia do Brasil-1600 a 1700,2°. volume,
(1941); Historia do Brasil-1700 a 1800, 3°. volume, (1943); Historia do
Brasil - 1800 a 1900, 4°. volume, (1947); Princesa Isabel, a Redentora,
(1942); Pequena Historia Diplomática do Brasil, (1942); Historia do
Brasil na Poesia do Povo, (1943); O Estado e o Direito nos Lusíadas,
(1945); Historia de Castro Alves, (1947); A Bala de Ouro, (1947); Curso
de Direito Constitucional, (1947); Historia da Literatura Bahiana.
(1949); Historia da Fundação da Bahia, (1949); O Segredo das Minas de
Prata, (1950): Historia das Ideias Políticas, (1952); O Palácio da Praia
Vermelha, (1952); Teoria Geral do Estado, (1954); Brasil (1956); Historia
do Brasil, 7 volumes. (1959).
Pedro Calmon faleceu em 1988.
FUNDAÇÃO JOSÉ BONIFÁCIO -
AVENIDA PASTEUR, 280
Grande
sobrado em estilo neoclássico vernacular, com telhas de faiança
portuguesa pintada a mão. Foi erguido no terceiro quartel do século XIX,
sendo reformado em 1900. Fica ao lado do que foi o antigo Hospício de D.
Pedro II. Quando da instalação da Universidade do Brasil, na década de
50, ali funcionou sua gráfica. O casarão foi tombado pelo IPHAN em 1990.
INSTITUTO BENJAMIN CONSTANT -
AVENIDA PASTEUR
A um
jovem cego brasileiro se deve a ideia da fundação de um estabelecimento
onde fosse convenientemente educada a juventude deficiente visual em
nosso país.
José
Alves de Azevedo, natural da cidade do Rio de Janeiro, cego educado na Institution Imperiale des Jeunes
Aveugles, de Paris, foi quem teve essa ideia, que se originou do
fato seguinte: em 1853, achando-se ele no Rio de Janeiro, de volta de
Paris, soube que o Dr. José Francisco Xavier Sigaud, médico do Paço
Imperial, tinha uma filha cega, e prontamente ofereceu-se para
ministrar-lhe a necessária instrução pelos processos especiais por que
fora educado em Paris.
O
oferecimento foi aceito, e o êxito brilhante.
Da.
Adélia Sigaud, sua discípula, veio a ser, mais tarde, professora do
Instituto criado para a educação dos deficientes visuais no Brasil.
Era
então ministro do Império o Dr. Luiz Pedreira do Couto Ferraz, depois
Visconde do Bom Retiro, que, tendo tido algumas conferências com o jovem
cego José Alves de Azevedo, e obtida a aquiescência do Imperador D. Pedro
II, criou o Imperial Instituto dos Meninos Cegos.
O
respectivo decreto tem a data de 12 de setembro de 1854, e a inauguração
do estabelecimento efetuou-se a 17 desse mesmo mês e ano. Foi a primeira
instituição do gênero a ser criada na América Latina.
O
primeiro diretor nomeado foi o Dr. Sigaud, que procedeu a essa
inauguração, e a instalação do Instituto na chácara no pé do Morro da
Saúde, que fora residência do Barão do Rio Bonito, próximo à praia
chamada do Lazareto e hoje Gamboa.
Não
teve José Alves de Azevedo a dita de assistir a esse acontecimento
auspicioso. A 17 de março de 1854 exalava ele o último suspiro, contando
apenas 19 anos de idade. Seu retrato, bem como o do Dr. Sigaud, o do
Visconde do Bom Retiro e outros beneméritos, ornam os salões do prédio do
Instituto.
Adelia
Sigaud e Joaquim José Lodi foram os primeiros professores desta
instituição, sendo que o último, professor de música, desconhecendo o
sistema Braille, ensinava mediante a apresentação de figuras comuns, de
grandes dimensões.
Em
junho de 1864 passou o Instituto a funcionar no prédio da Praça da
Aclamação, antigo Campo de Santana e hoje Praça da República, no. 17.
Já
então era dirigido pelo conselheiro Dr. Claudio Luiz da Costa, que
sucedera ao Dr. Sigaud, em 1856.
A28
de maio de 1869 foi nomeado o coronel (depois general) Dr. Benjamin
Constant Botelho de Magalhães para substituir o Dr. Claudio. O Dr.
Benjamin Constant, casado com uma filha do Dr. Claudio, dedicou ao
Instituto uma verdadeira afeição, de que deu a melhor prova quando
ministro do Governo Provisório (1890), enviando à Europa uma comissão de
professores cegos para completarem seus estudos e procederem à compra de
máquinas e material necessário para instalação de diversas oficinas.
Em
1872 recebeu o Instituto a importante doação, que lhe fez o então
Imperador D. Pedro II, e que consistiu no vasto terreno onde hoje se
ostenta o seu edifício, ocupando uma área de cerca de 9.516 metros
quadrados.
Em
29 de junho desse mesmo ano fez-se o lançamento solene da primeira pedra, e começou-se
a construção do edifício sob a direção do hábil arquiteto brasileiro
Francisco Joaquim Bethencourt da Silva.
Muito
lentamente correu essa construção, de modo que em 20 de setembro de 1896
só ficou pronta a metade esquerda do edifício planejado; a outra metade
ficou por décadas reduzidas apenas as paredes mestras do pavimento
térreo. Nessa ala pronta se instalaram os refeitórios, dormitório das
alunas e alojamentos para 200 alunos.
O
Instituto dos Meninos Cegos passou a denominar-se Instituto Benjamin
Constant por determinação da Lei no. 26, datada de 24 de Janeiro de 1891,
dois dias após a morte de seu mais famoso professor e diretor.
A
construção da outra ala do Instituto se arrastou por décadas. Reiniciadas
as obras em 1924 quando era seu diretor o Dr. Mello Mattos e já possuindo
130 alunos matriculados, foram somente concluídas na década seguinte,
depois de 1938. Na execução, foram suprimidas a rotunda e cúpula que no
projeto original deveriam encimar o pórtico principal, este mesmo
mutilado com a eliminação do frontão reto e de outros ornamentos.
Em
compensação, depois de pronto, a capacidade do Instituto subiu para 450
internados de ambos os sexos. Foram então convenientemente instalados os
cursos de: Jardim de Infância, Primário, Ginasial (equiparado em 1946 ao
Colégio Pedro II) e Profissional. Nesses cursos são ministrados:
massoterapia, radiotelegrafia, afinação de
piano,
encadernação, trabalhos de madeira, empalhação, vimaria, datilografia,
cursos musicais. economia doméstica, trabalhos manuais, costura, etc. Nas
novas dependências foram instalados: a Imprensa Braille e a Biblioteca,
esta com mais de 10 mil volumes, em seis idiomas, sendo uma das mais
completas da América do Sul, destinada aos cegos. Em época posterior
também ali se instalou o Banco de Olhos.
No
seu primeiro século de existência, abrigou 7.664 alunos, número este que
ultrapassou os 10 mil quando a instituição completou 110 anos.
O
Instituto Benjamin Constant é uma instituição federal subordinada ao
Ministério da Educação.
O prédio
do Instituto Benjamin Constant é tombado pelo Município.
CENTRO DE PESQUISAS DE RECURSOS
MINERAIS - AV. PASTEUR, 404
Magnífico palácio em estilo neoclássico
tardio, com pórtico monumental peristilado em gnaiss facoidal e escadaria
curvilínea, projetado em 1880 pelo engenheiro Antônio de Paula Freitas,
com pedra fundamental lançada a 12 de fevereiro de 1881 pelo próprio
Imperador D. Pedro II. Estava destinado a sediar a Faculdade de Medicina,
mas as obras pararam em 1884. Retomadas em 1889, foi o prédio destinado
então à Escola Superior de Guerra, que nele funcionou por algum tempo,
mesmo incompleto. Em 1907-08 foi
terminado às pressas pelo engenheiro José Mattoso de Sampaio Correa,
diretor da Inspetoria Geral de Obras Públicas, para sediar a Exposição
Nacional comemorativa do centenário da Abertura dos Portos no Brasil. As
escadarias de acesso foram então redesenhadas pelo arquiteto, pintor e
músico Dr. Francisco Isidoro Monteiro, pois no projeto original a
escadaria projetada invadiria o espaço da avenida Pasteur. A decoração
interna ficou a cargo dos artistas Frederick Anton Staeckel e Rodolfo
Amoedo, que fez belíssimos painéis artísticos nos salões principais.
Posteriormente, o hall da escadaria central foi decorado com três painéis
de Antonio Parreiras simbolizando, respectivamente, a Indústria,
Agricultura e o Comércio. Após a Exposição, foi o prédio destinado ao
Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil, criado em 10 de janeiro de
1907, que nele se instalou em 7 de novembro de 1909. Depois, outras
repartições federais nele se instalaram, até que passou a sediar em 1912
o Ministério da Agricultura, que nele permaneceu por dez anos. De 1922 a
1950, sediou inúmeras repartições deste Ministério, inclusive o
Departamento Nacional da Produção Mineral, órgão que nele permaneceu após
o prédio ser destinado em 22 de julho de 1960 a sediar o recém criado
Ministério das Minas e Energia. Em 1973, lavrou-se furioso incêndio no
edifício, fazendo desaparecer toda a sua biblioteca, que funcionava no
lado direito do prédio.
Em
1992, foi o palácio finalmente tombado pela Municipalidade.
ESCOLA MUNICIPAL MINAS GERAIS -
AVENIDA PASTEUR, 433
A
Escola Municipal Minas Gerais e tudo o que resta do Pavilhão do Estado de
Minas Gerais, construído em 1907/8 para a grande Exposição Nacional de
1908 na Praia Vermelha. O Pavilhão, bem como outros prédios na dita
Exposição, era projeto do engenheiro e construtor Raphael Rebecchi, e
construção do arquiteto René Barba. Após o certame, o dito Pavilhão, que
era em estrutura pouco resistente, pois foi previsto para apenas
permanecer enquanto durasse o evento, foi parcialmente demolido, sendo o
pavimento térreo, que era mais bem construído, convertido em 1922 numa
escola para crianças excepcionais. Em 1933 passou a ter o uso atual. Em
seu interior, há um painel da década de 50, com 91 azulejos,
representando a Pomba da Paz, de autoria de Pablo Picasso (1881-1973).
A
Escola Minas Gerais é tombada pela Municipalidade desde 1990.
ESCOLA DE GUERRA NAVAL -
AVENIDA PASTEUR, 480
Pelo
Decreto no. 8.650, de 4 de abril de 1911, o Presidente da República,
Marechal Hermes Rodrigues da Fonseca, criou o Curso Superior de Marinha,
o qual funcionava na Rua Dom Manuel, 15, na Praça XV de novembro, num
belo palacete eclético, onde hoje esta o Museu Naval e Oceanográfico. A
Marinha do Brasil então passava por profunda modernização e necessitava
de uma formação melhor para os oficiais da Armada. Sentindo a necessidade
de ampliar as funções desse curso, o próprio Marechal Hermes o ampliou,
criando a 11 de junho de 1914 a Escola Naval de Guerra, funcionando ainda
no mesmo prédio da Rua Dom Manuel. A 27 de dezembro de 1930, o Presidente
Getúlio Vargas manda reorganizar o estabelecimento, que passa a se chamar
pelo nome atual de Escola de Guerra Naval.
Crescendo
com os anos suas atribuições e cursos, tornou-se impossível a permanência
nas instalações acanhadas da Praça XV, passando em 1933 para o edifício
17 A do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, na ilha das Cobras. Com a
construção do novo edifício Almirante Tamandaré, para ali sediar o
Ministério da Marinha, na Praça Barão de Ladário, a EGN foi para lá,
transferida a 11 de junho de 1935. Ali permaneceu por 35 anos. O edifício
hoje sedia o 1°. Distrito Naval.
A 30
de abril de 1970 a EGN passou para a sede atual, um moderno conjunto de
prédios erguidos de 1967 a 70 na Avenida Pasteur, sendo inaugurada
naquela data pelo Presidente General Emilio Garrastazu Médici e o
Ministro da Marinha. O atual regulamento da EGN data de 1998, e
substituiu o anterior, de 1974.
A
EGN é uma escola de altos estudos militares e possui o objetivo de
capacitar oficiais para o desempenho de comissões operativas e de caráter
administrativo; prepará-los para funções de estado maior e aperfeiçoá-los
para o exercício de cargos de comando, direção e funções nos altos
escalões da Marinha.
PRAIA VERMELHA
Sua
denominação é explicada pelo fato de sua areia, em certa profundidade,
atualmente ser de coloração avermelhada.
Em 1698
foi projetada a Fortaleza da Praia Vermelha pelo engenheiro Gregório de
Castro Morais, construída no século XVIII. Em 1857 a Escola Militar
passou a ser sediada no prédio da fortaleza. Este prédio foi extensamente
reformado em 1908 e outros foram erguidos a sua volta, quando da
Exposição nacional em homenagem ao Centenário da Abertura dos Portos no
Brasil. Após a Exposição, muitos pavilhões foram demolidos e o antigo
quartel da fortaleza foi convertido em sede do Terceiro Regimento de
Infantaria, unidade de elite do exército.
Conhecida
por ser onde ocorreu a Intentona Comunista, em 1935.
Em
1930 assumiu a Presidência da República o Sr. Getúlio Vargas. As
condições de vida da população durante o início de seu governo, entre
outros fatores, fizeram com que a ala reformista e esquerdista dos
tenentes, camadas liberais, socialistas, comunistas e líderes sindicais
criassem um grupo denominado Aliança Nacional Libertadora (ANL).
Seu
presidente era o capitão Hercolino Cascardo, líder do movimento
tenentista de São Paulo, em 1924.
Seu
presidente de honra era Luís Carlos Prestes, que fora líder da Coluna que
percorreu parte de Brasil de abril de 1925 a fevereiro de 1927, incitando
as populações locais a levantar-se contra as oligarquias.
A
Aliança Nacional Libertadora defendia a suspensão do pagamento da dívida
externa, nacionalização de empresas estrangeiras, realização de reforma
agrária, formação de um governo popular, entre outras reivindicações.
Parte da população apoiava a ANL. Mas sendo uma clara ameaça ao governo
e, ao mesmo tempo representando um movimento que atingiu as forcas
armadas, a ANL foi fechada pelo governo Vargas em 11 de junho de 1935,
sendo os comunistas postos na clandestinidade.
Diante
do seu fechamento, a esquerda presente na ANL preparou uma insurreição,
sob o comando de Luis Carlos Prestes. Participaram do movimento Natal
(RN), Recife, Olinda (PE). Em 27 de novembro de 1935 o movimento eclodiu
no Rio de Janeiro. Funcionava no prédio da antiga Fortaleza da Praia
Vermelha o 3° Regimento de Infantaria, cujos soldados apoiaram o
movimento, que especificamente naquele quartel foram comandados pelo
capitão Agildo Barata Ribeiro, que agiu de improviso.
Aquele
prédio foi bombardeado pelas tropas governistas, e a revolta foi sufocada
em poucas horas. O prédio antigo foi colocado abaixo e a fortaleza em
parte demolida, sobrevivendo-lhe apenas os bastiões laterais, que abrigam
hoje o Círculo Militar e a Escola Gabriela Mistral, e, em lugar do antigo
quartel, foi traçada em 1938 a Praça General Tibúrcio, tendo ao centro o
monumento em granito e bronze em homenagem aos heróis de Laguna e
Dourados, obra do escultor Antonino Pinto de Mattos. Na mesma ocasião
foram construídos ao redor os prédios da Escola Técnica do Exército e do
Instituto Militar de Engenharia, bem como o edifício da residência dos
oficiais.
Anos
depois, em 1964, foi colocado próximo da praia o monumento homenageando
ao compositor romântico polonês Frédéric Chopin, do escultor Zamoiski,
doado pela colônia polonesa no Brasil em 1939.
MONUMENTO AOS HERÓIS DE LAGUNA
E DOURADOS- PRAÇA GENERAL TIBÚRCIO
No
início da Guerra do Paraguai ocorreram dois episódios dramáticos para
nosso exército. Em 28 de dezembro de 1864, um destacamento de 16 homens,
chefiados pelo Tenente Antônio João, resistiu heroicamente a 300
paraguaios que os atacaram na colônia militar de Dourados, Mato Grosso.
Tendo recusado a rendição, morreram lutando até o último homem. Meses
depois, a 7 de maio de 1865, a coluna do General Camisão, formada por
1680 homens, atacou fortemente o exército paraguaio em Laguna, Paraguai.
Apesar dos sucessos iniciais, a falta de provisões fez a tropa brasileira
recuar, sendo vítima de doenças, fome e ataques de guerrilhas paraguaias.
Poucos sobreviveram.
Para
lembrar esses dois episódios, em 1918 o Exército do Brasil, na figura do
General (então coronel) Pedro Cordolino de Azevedo, mandou realizar um
concurso público com nossos melhores escultores com o objetivo de
elaborar um projeto dum monumento a ser construído na Praia Vermelha.
Realizado
o concurso em 1920, venceu a proposta do escultor brasileiro Antonino
Pinto de Matos. A contenção de despesas adiou o sonho por quase vinte
anos. Em novembro de 1935, após a destruição do quartel do 3°. Regimento
de Infantaria pela Intentona Comunista na Praia Vermelha, aproveitou-se o
espaço resultante para ali erguer o monumento, o qual funcionaria
igualmente como mausoléu dos principais líderes brasileiros dos dois
combates.
Situado
no centro da Praça General Tibúrcio, o monumento é constituído de um
mausoléu, cuja base forma uma circunferência de 53m, em granito branco.
No subsolo, de uma base com esculturas em bronze no tamanho real dos
heróis brasileiros, painéis do mesmo metal das batalhas travadas. e uma
coluna em granito branco, com seis metros de altura, tendo no topo a
figura em bronze da Glória. No mausoléu, nove degraus abaixo do nível do
solo, estão sepultadas as cinzas, dentre outros, do Tenente Antônio João,
Major Drago, General Carlos de Morais Camisão, Guia Lopes, e outros
heróis. Todas as peças de bronze foram fundidas no Brasil pela Fundição
Cavina & Cia.
Inaugurado
solenemente a 31 de dezembro de 1938, não pôde estar presente o escultor
Pinto de Matos, falecido algumas semanas antes.
GENERAL TIBÚRCIO - DADOS
BIOGRAFICOS
Antonio Tibúrcio Ferreira de Souza, nasceu no Ceara, a 11 de
agosto de 1837. Foi um grande general brasileiro. Sentou praça no
exercito em 1852, no Ceara. Condecorado com a Ordem do Cruzeiro, medalha
de prata, quando da tomada de Corrientes, na Argentina. Distinguiu-se na
Guerra do Paraguai, no comando do celebre 16°.Batalhão. Foi construtor da
Estrada do Chaco, Paraguai, em apenas 23 dias, o que permitiu aos
soldados brasileiros contornarem o Exercito Paraguaio. Pelo seu notável
feito foi promovido a Coronel. Era erudito conhecedor de história.
Pertenceu à arma da Engenharia.
Morreu no Ceará, a 28 de março de 1885.
MONUMENTO A FREDERIC CHOPIN -
PRAIA VERMELHA
No
dia 1°. De setembro de 1939 as tropas nazistas atacavam a pacífica
Polônia. O ataque foi tão devastador que três semanas depois os soldados
alemães colocavam seu tacão em Varsóvia. Dentre as muitas barbaridades
praticadas pelos invasores, uma das primeiras foi a de destruir o
monumento ao compositor romântico polonês Frédéric Chopin existente naquela
cidade.
Quando
a notícia chegou ao Brasil, a comunidade polonesa aqui residente resolveu
reagir, organizando uma subscrição para angariar fundos com o objetivo de
erguer um monumento a Chopin no Rio de Janeiro. Obtida a verba
necessária, encomendaram a estatua ao escultor Augusto Zamoyski. Com 2,5
metros de altura e todo em bronze, o monumento ficou pronto ainda em
1939. Entretanto, a politica dúbia do governo brasileiro, oficialmente
neutro, mas relativamente simpático aos alemães, adiou sua instalação por
alguns anos.
Com
o torpedeamento de navios brasileiros e a posterior declaração de guerra
do Brasil aos países do Eixo, desengavetou-se a ideia da estátua. Em 1°.
de setembro de 1944, no quinto ano da invasão da Polônia, foi inaugurado
o monumento a Chopin na Praça Floriano, defronte ao Teatro Municipal. Lá
ficou em paz por exatos quinze anos.
Em fins de 1959, o barítono Paulo Fortes iniciou
uma campanha para erguer na Praça Floriano um monumento ao maestro e
compositor Carlos Gomes. Conseguida rapidamente a estatua em bronze do
maestro brasileiro, começou então uma campanha para dali remover a
homenagem a Chopin, por considerarem incompatíveis os dois monumentos. Um
outro grupo de intelectuais não via problemas na homenagem aos dois
compositores na mesma praça, mas Paulo Fortes não pensava assim e, usando
de sua influencia, conseguiu a remoção. Em 15 de Janeiro de 1960, o
monumento a Chopin foi retirado à noite por
funcionários da Prefeitura, sendo levado para um depósito. No dia 16,
pela manhã, estava em seu lugar o maestro brasileiro.
Depois de algum tempo esquecido num depósito, o monumento foi
colocado na Praia Vermelha em 1964. Chopin foi retratado em posição de
quem medita e escuta. No final das contas, a romântica Praia Vermelha
acabou se tornando a moldura perfeita para o mestre do romantismo. A
estátua tem 2,5m e está sobre um pedestal de granito com um metro de
altura.
INSTITUTO MILITAR DE ENGENHARIA - PRAÇA GENERAL
TIBÚRCIO, 80
O Rei de Portugal D. Pedro II mandou criar no Rio de Janeiro, por
Decreto de 15 de janeiro de 1699, um Curso de Formação de Soldados
Técnicos. Funcionava na Fortaleza da Praia Vermelha, e teve como seu
primeiro professor o engenheiro militar Gregório Gomes Henriques. Em
meados do século XVIII, era lente deste curso o engenheiro militar e
brigadeiro José Fernandes Pinto Alpoim, que o dirigiu de 1738 até sua
morte, em 1763. Na ocasião, Alpoim aproveitou a efervescência cultural à
época do governo do Conde de Bobadela e mandou editar no Rio de Janeiro
os dois primeiros livros didáticos impressos no Brasil: Exame de
Bombeiros e Exame de Artilheiros.
Havendo necessidade de ampliar os estudos militares no Brasil, a
Rainha D. Maria I criou em 1792 a Real Academia de Artilharia,
Fortificação e Desenho, instalada no edifício da Casa do Trem, onde hoje
funciona o Museu Histórico Nacional.
Finalmente, a 23 de abril de 1811, o Príncipe D. João criou por
decreto a Real Academia Militar, instalada inicialmente na Casa do Trem,
mas removida no ano seguinte para o edifício da Sé inacabada, no Largo de
São Francisco, onde ficou até 1856. Neste último ano passou novamente
para a Fortaleza da Praia Vermelha, permanecendo ali até 1908.
Depois de perambular por vários prédios da cidade, foi decidido
pelo exército, em 1939, a construção de um grande edifício próprio para
sediar a então denominada Escola Técnica do Exército. Com a remodelação
da Praia Vermelha e a demolição do quartel do antigo 3o.
Regimento de Infantaria, obteve-se o espaço necessário para ali surgira
Praça General Tibúrcio, sendo destinado o lado costeiro ao Morro da
Babilônia para o novo prédio. Executaram o projeto, em estilo art-déco,
os arquitetos Paulo Pires e Paulo Santos. Inaugurado em 1942 pelo
Presidente Getúlio Vargas, foi então transferida a escola da antiga sede,
na Rua Moncorvo Filho.
Em 1959 Surge o IME - Instituto Militar de Engenharia, fruto da
fusão da Escola Técnica do Exército e o Instituto Militar de Tecnologia.
Desde 1958 a escola ministrava o Curso de Pós-Graduação em Engenharia
Nuclear, o 1o. da América Latina. A partir de 1997 a escola
passou a aceitar mulheres, assim quebrando um velho tabu, o que deve ter
animado um pouco mais as salas de aulas. Presentemente, são ministrados
nove cursos de graduação em engenharia paramilitares e sete cursos de
pós-graduação ao nível de mestrado e doutorado para civis e militares.
O oficial de engenharia pode ascender no Exército até ao posto de
General-de-Divisão.
ESCOLA DE COMANDO E ESTADO MAIOR DO EXÉRCITO -
PRAÇA GENERAL TIBÚRCIO, 125
Em 1808. o Príncipe D. João mandou instalar seu estado maior no
Quartel General da Corte, no Campo de Santana. Concluído o edifício dois
anos depois, o órgão passou a orientar as forças de terra do Brasil. O
prédio manteve suas funções por todo o século XIX, e nele se deu a
Proclamação da República, a 15 de novembro de 1889. Por Decreto de 2 de outubro de 1905, o
Presidente Rodrigues Alves criou a Escola de Estado Maior, com a missão
de preparar oficiais superiores para o exercício de estado maior,
comando, chefia e assessoramento junto aos mais elevados escalões das
forças terrestres. O Marechal Hermes da Fonseca, procurou dar uma
orientação mais germânica ao órgão depois que assumiu a Presidência da
República, em 1911/14, mas a derrota do exército alemão na 1a.
Grande Guerra levou o Governo a contratar na França uma Missão Militar de
Aperfeiçoamento, cujas atividades se prolongaram de 1918 a 1940. Neste
último ano, a escola passou a ter uma orientação mais parecida com o
modelo norte-americano.
Com
a demolição do antigo quartel do Campo de Santana em 1937 para ali ser
erguido o Palácio Duque de Caxias, atual sede do Comando Militar do
Leste, o Exército resolveu levantar edifício próprio para a Escola de
Estado Maior, instalando-a na Praia Vermelha, na nova Praça General
Tibúrcio, num grande prédio projetado pelos arquitetos Paulo Pires e
Paulo Santos. Em 1955, a instituição foi reorganizada pelo Presidente
Café Filho para ser a Escola de Comando e Estado Maior do Exército -
ECEME. Foi seu primeiro comandante nesta nova fase o General (depois
Marechal) Humberto de Alencar Castelo Branco, o qual a modernizou
bastante, transformando-a numa instituição de excelência do Exército.
Presentemente, ali são ministrados oito cursos aos oficiais das forças
terrestres.
EDIFÍCIO PRAIA VERMELHA- PRAÇA
GENERAL TIBURCIO, 83
Grande
edifício residencial com lojas no térreo, sobreloja e treze andares
residenciais, destinados a famílias de militares. Projetado em 1943 pelos
arquitetos Paulo Pires e Paulo Santos, e construído em 1946 pela empresa
Cavalcanti & Junqueira. É em pesado estilo art-déco.
OS TESOUROS DA GUANABARA
Em
1990 o arqueólogo Manuel Guerra
comprou de um livreiro carioca um antigo mapa, manuscrito inédito e
anônimo da entrada da Baía de Guanabara, redigido em francês arcaico, e
datado de aproximadamente 1560, quando Villegaignon ocupava-a e
tencionava aqui implantar a "Franca Antártica". Mostra, em
linhas gerais, o Pão de Açúcar, então chamado de
"Pot-de-Sucre”, os morros da Urca e "Cara-de-Cão"
(ambos sem nome), sendo que o último aparece separado do continente,
formando com os outros dois uma ilha, no mapa batizada de "Yle
Trinité" (Ilha Trindade, pois era formada pelo
"Cara-de-Cão", "Pão-de-Açúcar" e Urca), não existindo
o que hoje chamamos de Praia Vermelha, pois esta só se formou no século
XVII. A Baía de Botafogo aparece citada como "Lac D'Eau
Douce"(Lago de Água Doce), onde hoje está a Avenida Pasteur aparece
a legenda "Praya", estando o Morro da Viúva com as enigmáticas
iniciais "P.M.".
O
mais curioso é que o mapa demarca as posições de nada menos que três
tesouros enterrados na Baia de Guanabara!
O
primeiro deles, grafado como "Trésor" (tesouro), na base do
Pão-de-Açúcar, onde hoje situa-se o Centro de Capacitação Física do
Exército, dentro da Fortaleza de São João.
O
segundo, indicado como "Or" (ouro) no meio do Morro da Urca,
mais ou menos onde hoje é a residência do musicólogo Ricardo Cravo Albim,
na Avenida São Sebastião.
O
terceiro e último aparece desenhado no meio da Baia de Botafogo.
O mapa
nunca foi publicado e, ao que se sabe, ninguém se aventurou a cavoucar
tais tesouros. Caso algum colega resolva se aventurar a encontrá-los, irá
esbarrar em muitas dificuldades, pois dois deles estão em território da
união, guardados pelo Exército e Marinha, ficando o terceiro em área
particular, mas protegida pelo IBAMA.
DADOS POUCO CONHECIDOS SOBRE O
PÃO DE AÇÚCAR
Os
antigos moradores do Rio de Janeiro julgavam impossível o acesso ao pico
do Pão de Açúcar. Foi, pois, um grande acontecimento a escalada feita em
1817 por uma senhora inglesa, Lady America Vespucia, que no alto do
penhasco colocou um poste com a bandeira da Grã Bretanha.
Depois
dessa ousada expedição, a 31 de outubro de 1851 o norte-americano Burdell
e dez companheiros, inclusive duas senhoras e um menino (Luiz Burdell), todos estrangeiros,
escalaram a famosa escarpa, regressando após trinta horas de permanência
naquelas alturas.
Com
a criação da Escola de Aplicação Militar e seu aquartelamento na Praia
Vermelha, tornaram-se frequentes as excursões ao Pão de Açúcar, sendo das
mais notáveis as que empreenderam os alunos da Escola Militar, em
princípios de 1889, na chegada de D. Pedro II de sua viagem a Europa,
colocando ali uma bandeira com a legenda "Salve", tendo cada
letra sete metros. No mesmo ano, em 13 de outubro, por ocasião da visita ao
Rio de Janeiro do navio chileno Almirante Cochrane, repetiu-se a difícil
escalada.
Anos
antes, em 1883, o engenheiro americano Morris N. Kohn, propôs o plano de
um elevador mecânico ou ponte (inclined
suspension bridge), para transportar passageiros até o alto do Pão de
Açúcar.
A
portaria do Ministro da Agricultura, Conselheiro Henrique d'Avila, de 31
de Janeiro de 1883, dirigida à ilustríssima Câmara Municipal da Corte,
submeteu o projeto à consideração do corpo da Câmara, merecendo parecer
favorável dos vereadores Pinto Guedes, Emílio da Fonseca e Oliveira
Brito, a 21 de março do mesmo ano. A concessão caducou sem nada ter sido
feito.
Em
princípio de 1889, o Ministro da Agricultura, Comércio e Obras Públicas,
Rodrigo Augusto da Silva, submeteu à mesma ilustríssima Câmara Municipal
o projeto de um grupo de empresários ingleses propondo a concessão para
desmontar o Pão de Açúcar e utilizara pedra resultante em aterro a ser
feito no bairro da Glória ate o Centro. O parecer não chegou a ser
emitido pelos vereadores haja vista a Proclamação da
República,
a 15 de novembro seguinte.
Em
1890, o Ministro da Argentina no Brasil, Dr. Henrique Moreno, sugeriu a
ereção de uma estátua em homenagem a Cristóvão Colombo no cimo do Pão de
Açúcar, sendo defendida essa ideia no Instituto Histórico e Geográfico
Brasileiro pelo escritor João Severiano da Fonseca, irmão de Manuel
Deodoro da Fonseca, Presidente do Brasil. De acordo com o decreto no.
1.260, de 29 de maio de 1909, foi o Prefeito autorizado pelo Conselho
Municipal a conceder, ao engenheiro civil Augusto Ferreira Ramos e
outros, o direito exclusivo, pelo prazo de trinta anos, para construção e
exploração de um caminho aéreo entre a antiga Escola Militar e o alto do
morro da Urca, com ramais para o pico do Pão de Açúcar e para a chapada
do morro da Babilônia.
A 30
de julho de 1909, assinou-se, na Prefeitura, sob a administração
Serzedelo Correa, o respectivo contrato com o engenheiro Augusto Ferreira
Ramos e Manoel Antônio Galvão, industrial, ambos domiciliados nesta
cidade, e segundo o plano idealizado pelo engenheiro Fredolino Cardozo.
A
cada ano, o Pão de Açúcar perde 60 toneladas de rocha em média devido à
erosão provocada pelas chuvas e vento.
O ELEVADOR DO PÃO DE AÇÚCAR
Na
sessão de 21 de março de 1883, foi tratado pela Câmara Municipal do Rio
de Janeiro, o "requerimento mandado por Sua Majestade o Imperador,
por intermédio do Ministério da Agricultura, em que Morris N. Kohn pede
concessão para si ou para uma empresa a organizar, construir, usar e
gozar um elevador mecânico ou uma ponte denominada por sua natureza Inclined Suspension Bridge, para o
alto do Pão de Açúcar."
Esse
Morris N. Kohn era um inventor judeu norte-americano e que já tentara um
sem número de patentes no Rio de Janeiro, algumas bem interessantes, como
a de 1873, junto com Joseph Spyer, de fabricação de camas de tecido de
arame e palhinha metálica. Outra iniciativa progressista foi a que propôs
ao Imperador a 21 de abril de 1884, de instalar luz elétrica no Palácio
Imperial da Quinta da Boa Vista, em São Cristóvao.
A
portaria do Ministro da Agricultura , Conselheiro Henrique d'Avila, de 31
de Janeiro de 1883, dirigida à ilustríssima Câmara Municipal da Corte,
submeteu o projeto do elevador do Pão de Açúcar à consideração do corpo
da Câmara, merecendo parecer favorável na citada data de março seguinte
dos vereadores Pinto Guedes, Emilio da Fonseca e Oliveira Brito.
O
elevador mecânico subiria pelo costão marítimo do Pão de Açúcar, e seria muito
semelhante ao que seis anos depois o engenheiro francês Gustave Eiffel
inauguraria na sua torre, em Paris.
Mesmo
com os pareceres favoráveis, nada foi feito. Com a Proclamação da
República, em 1889, a concessão caducou e, depois de uma série de decepções
com o novo governo, Kohn retornou em 1892 aos Estados Unidos. Somente
trinta anos depois, o engenheiro Augusto Ferreira Ramos realizaria o
sonho de Kohn, com o atual teleférico.
AUGUSTO FERREIRA RAMOS- DADOS
BIOGRAFICOS
Em 1908, o engenheiro Augusto Ferreira Ramos, nascido no Estado do
Rio a 22 de agosto de 1860, tivera a ideia de um teleférico ligando os
morros da Babilônia, Urca e Pão de Açúcar, quando da realização da
Exposição Comemorativa do Centenário da Abertura dos Portos Brasileiros às Nações Amigas, efetivada na Praia Vermelha em 1908. Ano seguinte,
idealizou o ousado caminho aéreo funicular do Pão de Açúcar. Unindo-se a
Antônio Galvão e ao Comendador Fredolino Cardoso, obteve do Prefeito
Serzedelo Correia em julho de 1909 o direito exclusivo de construir e
explorar a linha aérea por trinta anos. Do morro da Babilônia ao da Urca
há 600 metros de distancia e 224m de altura; daí para o Pão de Açúcar há
800 metros de distancia e 395 acima do nível do mar.
Augusto Ramos, autor de tão notável empreendimento, era lente da
Escola Politécnica de São Paulo. A ele se deve o plano de valorização do
café que tantos benefícios trouxe à indústria cafeeira do pais,sobretudo
de São Paulo. Também da industria açucareira se ocupou largamente, tendo
representado seu estado natal em diversas conferências e congressos
industriais. Foi ele também que, estudando as finanças nacionais, propôs
a criação da Caixa de Conversão, de tão bons resultados para o país.
Ainda em diversos estados da União deixou marcas de sua técnica,
realizando obras de saneamento no Paraná, na Bahia e no Espírito Santo,
instalando neste último poderosa usina hidroelétrica e fábricas de
cimento, papel e açúcar.
Sua memória há de perdurar no reconhecimento dos brasileiros, como
a de um filho que soube viver o sonho de grandeza de sua terra e de sua
gente.
A nós, cariocas, ligou-se desde outubro de 1912. vencendo a
incredulidade geral, com o caminho aéreo do Pão de Açúcar, ampliado em
janeiro seguinte, quando se atingiu o famoso pico. Esse passeio é um dos
mais encantadores do Rio, quer pela sensação da viagem, quer pela
surpreendente perspectiva panorâmica da cidade e seus arredores. Não há
quem possa ficar indiferente a tanta magnitude. A viagem noturna é ainda
mais deslumbrante pela originalidade do quadro que apresenta com a
"feérie" de luzes nas mais caprichosas formas geométricas.
Augusto Ferreira Ramos morreu no Rio de Janeiro, a 28 de julho de
1939, deixando desde 1936 a direção de sua vitoriosa empresa a Carlos
Pinto Monteiro, que a renovou depois daquela data, dotando-a de
maquinismos modernos.
A CAVERNA DO PÃO DE AÇÚCAR
Todo
o Guia de Turismo conhece esse morro, o mais característico da cidade,
cantado e decantado mundialmente, com 395 metros de altura, galgados com
facilidade pelo bondinho que vai ao seu topo desde 1913, e cujo nome é
devido ao fato de os Portugueses acharem-no parecido com as formas de
barro onde se colhia o caldo de cana purificado nos engenhos coloniais.
O
que poucos talvez saibam é que o Pão de Açúcar também possui uma enorme
caverna, aberta por uma falha na rocha gnáissica há, pelo menos, um
bilhão de anos, no costão batido pelo oceano Atlântico, fora da barra.
Ela é acessível por terra, por um caminho na rocha, depois da pista
Cláudio Coutinho, como pelo mar, de caiaque.
Menos
gente ainda sabe que até a relativamente pouco tempo ermitões nela
residiam.
Desde
os anos trinta, nela morou o português Eduardo de Almeida, que contava 58
anos em 1965, vivia da caça e pesca, inteiramente alheio à cidade e sua
gente, as quais desconhecia por completo! Em princípios dos anos sessenta
dividiu sua caverna com o casal Francisco de Brito e Isidia Maria da
Conceição, mais sociáveis, pois vendiam mamão, laranja e banana que
plantavam na encosta do morro aos frequentadores da
Praia
Vermelha.
Todos
foram desalojados pelos militares da Fortaleza de São João em 1968 e
desde então só os morcegos a tem habitado.

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