A Sociedada Anônima
Empresa da Urca
Em 1921 um novo personagem entra para a história da Urca: o
engenheiro Oscar de Almeida Gama. Ele constitui a Sociedade Anônima
Empresa da Urca, com o objetivo de dar execução aos
contratos para construção de um cais, |
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ligando a praia da Saudade à Fortaleza de São
João, nos termos do contrato de 1919, entre a Prefeitura e Domingos
Fernandes Pinto. |
Além de Oscar Gama, o segundo maior acionista da Empresa era Pinto
Carneiro e Companhia, que vinha a ser concessionária de Domingos
F. Pinto. Entre outros acionistas destacavam-se Angelo Ferrari, Eduardo
Parissot e Otávio Moreira Penna, os dois últimos, engenheiros
responsáveis pelo aterro que deu o contorno definitivo ao bairro.
Oscar Gama também tinha ligações anteriores com o
local.
O Prefeito Carlos Sampaio deu início ao desmonte do morro do
Castelo e ao aterro da ponta do Calabouço para a Exposição
do Centenário da Independência em 1922; canalizou o rio Maracanã
e abriu a avenida de mesmo nome; alargou a Avenida Niemeyer; saneou a lagoa
Rodrigo de Freitas, abrindo as avenidas de contorno para ocupação
dos novos terrenos; e, finalmente, abriu a Avenida do Contorno do Morro
da Viúva, atual Rui Barbosa, completando a ligação
da Beira-Mar pelo litoral, iniciada anos antes. As novas faixas de terrenos
integradas à cidade, nas quais se inclui, muito apropriadamente,
também a Urca, caracterizam o interesse em dar novo valor ao solo
urbano do Rio de Janeiro.
Entre as cláusulas do contrato para a construção
do bairro da Urca estava a que obrigava a empresa a construir uma escola
para 200 alunos, que veio a ser a Escola Minas Gerais na Avenida Pasteur.
Em 1934, foi criado o Colégio Cristo Redentor.
A Avenida Portugal foi oficialmente inaugurada pelo Presidente Epitácio
Pessoa. A denominação escolhida estava estreitamente ligada
às comemorações. Na mesma época,
a antiga praia da Saudade recebia a denominação
de Avenida Pasteur e, logo depois, a Prefeitura concedeu terrenos de aterro
para sociedades esportivas, surgindo, entre outras, o Fluminense
Yachting Club, atual Iate Clube do Brasil, na Avenida Pasteur.
Se o plano geral de arruamento e loteamento da Urca foi aprovado em
1922, somente um ano depois, e na administração de Alaor
Prata, é que foram descritos e definitivamente aceitos os Planos
de Abertura de ruas no bairro. O primeiro P. A. da Urca dá como
limites a Avenida Pasteur, Portugal e a Rua Ramon Franco, denominando essa
área de primeira seção. A segunda seção
é o trapézio limitado, no mar, pela Avenida João Luís
Alves e, no morro, pela Avenida São Sebastião, aprovada por
P.A. pouco depois do primeiro.
Na época, órgãos de imprensa como O Jornal criticavam
o destino da terra tirada do morro do Castelo, que era muito maior do que
a área a ser aterrada junto ao próprio morro, não
se sabendo nem mesmo como aproveitar o espaço novo. Assim, outros
aterros foram citados, como o da Lagoa, "obras provisórias ou a
título de experiência, tudo feito e desfeito por palpite".
A Urca, no entanto, não foi objeto de comentários, porque
já nasceu com suas ruas traçadas, alinhadas, e aterro feito
com areia da própria baía de Guanabara, bombeada para a área
através de uma draga.
Com a área pronta para ser habitada, e o prédio do Hotel
Balneário necessitando de maior proteção contra a
água do mar, aumentou-se a faixa de areia, com os diques de proteção,
ficando a praia com a forma que mantém até hoje. Anos depois,
em 1937, é projetada a passagem de uma rua sobre o mar, ligando
a Avenida Portugal à João Luís Alves, para evitar
a passagem sob o prédio do Cassino. Como se sabe, o projeto não
foi executado.
Mas é na virada da década de 30 para 40 que a Urca se
torna conhecida como o bairro de "risonhos bungalows à beira-mar"
através de reportagens da revista llustração Brasileira.
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