A Preservação
de um bairro residencial
Na década de 70, os moradores da Urca se organizaram em defesa
dos seus interesses comunitáirios e fundaram a Associação
de Moradores da Urca - AMOUR. Em 1978, conseguiram a aprovação
pela Prefeitura do Municfpio do Rio de Janeiro do Plano de Estruturação
Urbana - PEU nº 001 - de proteção ambiental da área
do bairro e preservação paisagística dos morros do
Pão de Açúcar, da Urca e da Babilônia.
Em 1982 surge a possibilidade de o |
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prédio da TV Tupi dar lugar a um grande hotel internacional
com o que a AMOUR não concordou. E assim os moradores conseguem
que a Câmara Municipal em 1983, declare o imóvel de utilidade
pública para efeito de desapropriação. O projeto prevê
seu uso como um centro cultural denominado Monteiro Lobato. Já a
Associação de Moradores sugere que, além do centro
cultural o prédio possa sediar também um Museu do Fundo do
Mar. No entanto, é o próprio PEU em vigor que não
permite este tipo de utilização para o local, devido à
exigência do uso residencial exclusivo. |
Em 10 de outubro de 1986, o Decreto 6.183 tomba provisoriamente, nos termos
do artigo 5º da Lei 166 de 27 de maio de 1980, o imóvel nº
13 da Avenida João Luís Alves, de propriedade da Urca Imobiliária
do Rio de Janeiro S. A. cuja maioria das ações pertence ainda
à Rádio Tupi S.A. O tombamento do prédio obteve o
parecer favorável do Conselho Municipal de Proteção
do Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro, órgão da Prefeitura
da Cidade do Rio de Janeiro.
Finalmente, em 30 de dezembro de 1987, a Lei 1.191 autoriza o Poder
Executivo a permutar, por um próprio municipal o imóvel onde
funcionou o antigo Cassino da Urca destinando este à utilização
sócio-cultural, abrigando inclusive o Museu dos Teatros, em convênio
com o Estado.
Se esta luta da comunidade chega a um final feliz, é porque tem
antecedentes históricos que a explicam. Quando bairro começou
a ser criado artificialmente, no final do século XIX, e consolidou-se
na década de 1920, de certa maneira interferiu na paisagem mais
tradicional e conhecida do Rio de Janeiro. Mas a ideia de um bairro
elegante e destinado às classes médias criou uma comunidade
pequena, unida, conforme afirmam os próprios moradores, e vivendo
num lugar visualmente agradável. De certa maneira pode-se dizer
que a Urca assemelha-se ao Grajaú, na Zona Norte, também
contemporâneo na ocupação urbana.
A interferência na paisagem dos penedos do Pão de Açúcar
e Urca deveria levar ao uso exclusivamente unifamiliar, evitando pelo menos
a construção de altos prédios, tanto na área
do bairro, como dentro da área da Fortaleza de São João,
o que não ocorreu. No entanto, devido à sua posição
geográfica, a Urca não se tornou, como Botafogo ou Jardim
Botânico, um bairro de passagem. Conservando a malha viária
original com o mesmo número de ruas abertas desde os anos 20, a
Urca e sua comunidade conseguiram preservar a valiosa característica
de bairro eminentemente residencial.
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